MERCÚRIO OU HERMES - MUNDO DA FILOSOFIA
RETORNAR AO MUNDO DA FILOSOFIA
 
 

Mercúrio (Hermes)

 

 

MERCÚRIO OU HERMES Mercúrio era filho de Júpiter e de Maia, filha de Atlas. Os gregos chamavam-no Hermes, isto é, intérprete ou mensageiro. Seu nome latino vinha da palavra Merces, mercadoria. Mensageiro dos deuses e particularmente de Júpiter, ele os servia com um zelo infatigável e sem escrúpulo, mesmo nos empregos pouco honestos. Participava de todos os negócios, como ministro ou servidor. Ocupava-se da paz e da guerra, das querelas e dos amores dos deuses, do interior do Olimpo, dos interesses gerais do mundo, no céu, assim como na terra e nos Infernos. Encarregava-se de fornecer e servir ambrosia à mesa dos Imortais, presidia aos jogos, às assembléias, escutava os discursos e respondia, ou por si ou de acordo com as ordens recebidas. Conduzia ao Inferno as almas dos mortos com a sua vareta divina ou o seu caduceu; algumas vezes reconduzia-as à terra. Ninguém morria antes que ele tivesse inteiramente rompido os laços que unem a alma ao corpo.

Deus da eloqüência e da arte de bem falar, ele o era também dos viajantes, dos negociantes e mesmo dos ladrões. Embaixador plenipotenciário dos deuses, assistia aos tratados de aliança, sancionava-os, retificava-os, não era estranho às declarações de guerra entre as cidades e os povos. Dia e noite não cessava de vigiar atento e alerta. Em uma palavra, era o mais ocupado dos deuses e dos homens. Acompanhava e guardava Juno com toda perseverança, impedindo-a de urdir qualquer intriga. Era mandado por Júpiter para facilitar-lhe agradabilíssimas entradas entre os mortais, para transportar Castor e Pólux a Palem, para acompanhar o carro de Plutão raptando Prosérpina; atirava-se do alto do Olimpo e atravessava o espaço com a rapidez do raio. Foi a ele que os deuses confiaram a delicada missão de conduzir diante do pastor Páris as três deusas que se disputavam o prêmio da beleza.

Tantos empregos, tantas atribuições diversas concedidas a Mercúrio davam-lhe uma importância considerável no conselho dos deuses. Por outro lado os homens acrescentavam ainda as suas qualidades divinas, atribuindo-lhes mil talentos industriosos. Não somente contribuía para o desenvolvimento do comércio e das artes, como também se dizia que fora ele quem em primeiro lugar formara uma língua exata e regular, quem inventara os primeiros caracteres da escritura, quem regulara a harmonia das frases, quem pusera nome a uma infinidade de coisas, quem instituíra práticas religiosas, quem multiplicara e fortalecera as relações sociais, quem ensinara o dever aos esposos e aos membros da mesma família. Ensinara também aos homens a luta e a dança, e em geral todos os exercícios ao ar livre que necessitavam força e graça. Finalmente foi ele o inventor da lira, à qual deu três cordas, e que ficou sendo o instrumento de Apolo. As suas qualidades são contrabalançadas por defeitos. O seu gênio inquieto, a sua conduta dolosa suscitaram-lhe mais de uma questão com os outros deuses. Júpiter mesmo, esquecendo um dia todos os serviços desse dedicado servidor, expulsou-o do céu, reduziu-o a guarda de rebanhos na terra; foi no mesmo tempo em que Apolo foi ferido pela mesma desgraça.

Acusou-se Mercúrio de um grande número de ladroeiras. Ainda criança, esse deus dos negociantes e dos ladrões furtou o tridente de Netuno, as flechas de Apolo, a espada de Marte e o cinto de Vênus. Roubou também os bois de Apolo; mas em virtude de uma convenção pacífica, trocou-os pela sua lira. Esses furtos, alegorias bastante transparentes, indicam que Mercúrio, sem dúvida personificação de um mortal ilustre, era ao mesmo tempo hábil navegador, provecto atirador de arco, valente na guerra, elegante e gracioso em todas as artes, negociante consumado, permutando o agradável pelo útil.

Tornou-se culpado de um assassinato para proteger os amores de Júpiter.

Argos, filho de Arestor, tinha cem olhos, dos quais cinqüenta ficavam abertos enquanto o sono adormecia os outros cinqüenta. Juno confiou-lhe a guarda de Io, mudada em vaca; Mercúrio, porém, adormeceu ao som de sua flauta esse guarda vigilante, e cortou-lhe a cabeça. Juno, desolada e iludida, tomou os olhos de Argos e os espalhou sobre a cauda do pavão. Outros contam que Argos foi por essa deusa metamorfoseado em pavão.

O culto de Mercúrio nada tinha de particular, senão que se lhe ofereciam as línguas das vítimas, emblema de sua eloqüência. Pelo mesmo motivo ofereciam-lhe leite e mel. Imolavam-lhe vitelas e galos. Era especialmente venerado em Creta, país comercial, e em Cilene, na Élida, porque pensavam que tinha nascido no monte do mesmo nome, situado perto dessa cidade. Ele tinha também um oráculo em Acaie; depois de muitas cerimônias, falava-se na orelha do deus, para pedir o que se desejava. Em seguida saía-se do templo, com as orelhas tapadas com as mãos, e as primeiras palavras que se ouvissem eram a resposta de Mercúrio.

Em Roma os negociantes celebravam uma festa em honra sua, a 1.° de maio, dia em que lhe dedicaram um templo no circo. Sacrificavam uma porca prenha, e se aspergiam com a água de certa fonte à qual se atribuía uma virtude divina, rogando ao deus de proteger o seu comércio e de perdoar-lhes as pequenas velhacarias.

O "ex-voto" que os viajantes lhe ofertavam à volta de uma longa e penosa viagem, eram pés alados.

Como divindade tutelar, Mercúrio é geralmente representado com uma bolsa na mão. Em alguns monumentos é representado com uma bolsa na mão esquerda, e na direita uma ramo de oliveira e uma clava, símbolos, um de paz, útil ao comércio, o outro de força e de virtude, necessários ao tráfico. Como negociador dos deuses, traz na mão o caduceu, vareta mágica ou divina, emblema da paz. O caduceu é entrelaçado de duas serpentes, de sorte que a parte superior forma um arco; além disso é superado por duas extremidades de asas. O deus tem asas no seu gorro, e algumas vezes nos pés, para mostrar a ligeireza de seu andar e a rapidez com que executa as ordens.

Geralmente é descrito como um jovem, belo de rosto, de um talhe desenvolto, ora nu, ora com um manto nos ombros, que apenas o cobre.

Usa muito freqüentemente um chapéu chamado petaso, que tem asas. É raro representá-lo sentado. As suas diferentes ocupações no céu, na terra e nos Infernos, obrigavam-no a uma constante atividade. Em algumas pinturas vê-se o deus com metade do rosto clara e a outra metade negra e sombria: isso indica que ora está no céu ou na terra, ora nos Infernos, para onde conduz a alma dos mortos.

Quando o representavam com uma longa barba e cara de velho, davam-lhe um manto que lhe descia até os pés.

Dizem que Mercúrio é o pai do deus Pã, fruto dos seus amores com Penélope. Penélope não foi a única mortal, nem a única deusa, honrada pelos seus favores; teve ainda como amantes, Acacalis, filha de Minos, Herse, filha de Cécrops, Eupolêmia, filha de Mirmidon, que lhe deu muitos filhos, Antianira, mãe de Equion, Prosérpina e a ninfa Lara, de quem nasceram os deuses Lares.

Hermes, sendo nome próprio de Mercúrio em grego, era dado a certas estátuas de mármore, e algumas vezes de bronze, sem braços e sem pés. Os atenienses, e seguindo o seu exemplo, outros povos da Grécia, mesmo depois os romanos, colocavam Hermes nas encruzilhadas das cidades e grandes estradas, porque Mercúrio presidia às viagens e aos caminhos. Geralmente, Hermes é uma coluna com uma cabeça; tendo duas cabeças, uma é de Mercúrio reunida à de outra divindade.

A quarta-feira (mercredi, em francês) dia da semana, é-lhe consagrada (Mercurii dies).

Referências Bibliográficas:

BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Grega. Petrópolis: Vozes, 7.ª edição, Vol. I, 1991.
BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Grega. Petrópolis: Vozes, Vol. III, 4.ª edição, 1992.
BULFINCH, Thomas. A Idade da Fábula. Rio de Janeiro: Tecnoprint, 1965.
BURN, Lucilla. O Passado Lendário - Mitos Gregos. São Paulo: Moraes, 1992.
CERAM, C.W. Deuses, Túmulos e Sábios. São Paulo: Melhoramentos, 19.ª edição, 1989.
COMMELIN, P. Mitologia Grega e Romana. Rio de Janeiro: Tecnoprint.
DUMÉZIL, Georges. Jupiter Mars Quirinus, essai sur la conception indo-européenne de la société et sur les origines de Rome. Paris, Gallimard, 1941.
ELIADE, Mircea. História das Crenças e das Idéias Religiosas. Tradução de Roberto Cortes de Lacerda. Rio de Janeiro, Zahar Editores, 1978, tomo I, vol. II, p. 15.
MÉNARD, René. Mitologia Greco-romana. São Paulo: Opus, Volumes I, II, III, 1991.

© Texto Produzido Por Rosana Madjarof - 1999 - Respeite os Direitos Autorais

 

 
Página Inicial Vulcano Mitologia Greco-Romana Mercúrio: Deus do Comércio
 
 
₢ 2012 - Elaborado e Idealizado por Rosana Madjarof - Todos os Direitos Reservados - Política de Privacidade