TIPOS E ATRIBUTOS DE MINERVA - MUNDO DA FILOSOFIA
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Tipos e Atributos de Minerva

A deusa da Sabedoria e da Guerra

 

 

OS TIPOS E ATRIBUTOS DE MINERVA Tipo e Atributos de Minerva: "A partir do dia, diz Ottfried Muller, em que Fídias terminou de desenhar o caráter ideal de Minerva-atena, uma fisionomia cheia de calma, uma força que tem consciência de si própria, um espírito claro e lúcido, passaram a ser para sempre os principais traços do caráter de Palas.  A sua virgindade a coloca acima de todas as fraquezas humanas; ela é demasiadamente viril para se entregar a um homem. A testa muito pura, o nariz longo e fino, a linha um pouco dura da boca e das faces, o queixo largo e quase quadrado, os olhos pouco abertos e quase constantemente voltados para a terra, a cabeleira atirada, sem arte, para cada lado da testa e ondulada sobre a nuca, traços nos quais transparece a rudeza primitiva, correspondem perfeitamente a tão maravilhosa criação ideal".

Minerva se identifica completamente com a cidade que ela protege, e se por duas vezes usa cavalos no capacete é para mostrar a sua reconciliação com Netuno a quem era consagrado o cavalo, e que, como deus dos mares, não podia deixar de ter grande importância em Atenas. É o que vemos num medalhão antigo no qual a cidade de Roma personificada se liga à de Atenas (Palas-atena). As duas ilustres cidades se caracterizam pelos seus atributos: a loba com os dois filhos é o atributo comum de Roma, como a coruja é o habitual atributo de Atenas. A deusa ateniense traz a égide com a cabeça de Górgona, e quatro cavalos lhe ornam o capacete.

Os cavalos aparecem igualmente num soberbo entalhe antigo. A pena do capacete é suportada por uma esfinge e dois corcéis alados ou pégasos: a parte da frente está ornada de quatro cavalos e o cobre-orelha de um grifo. Os enfeites da deusa são luxuosos; além da égide de escamas bordadas de serpentes, traz ela um colar de bolotas, e brincos em forma de cachos de uvas.

Às vezes, como na medalha de Thurium, não é nem o cavalo, nem o grito que ornam o capacete de Minerva, mas uma Cila ou um monstro fantástico com cauda de serpente.

O CAPACETE DE MINERVAA deusa usa sempre um capacete, até quando desempenha um papel pacífico. O capacete tem, às vezes, asas para indicar o caráter aéreo de Palas. Vemo-lo, quanto ao resto, sob formas extremamente variadas, em moedas gregas ou romanas.

A coruja, a ave que vê bem durante a noite, é naturalmente consagrada a Minerva, deusa que personifica simultaneamente o raio e a inteligência. Nas mais antigas moedas de Atenas se nos depara a coruja, símbolo de uma vigilância constantemente alerta.

Como deusa guerreira, Minerva combate com a lança. No entanto, uma medalha da Macedônia, imitação de antiga figura arcaica, no-la apresenta com o raio de Júpiter. A vitória está freqüentemente na mão da deusa. É assim que ela aparece numa bela moeda do Lisímaco.

A arte dos tempos primitivos preferia a imagem de Palas às das outras divindades; os antigos paládios representavam ordinariamente a deusa com o escudo erguido, e brandindo a lança. Entretanto, essa forma varia muito, até nos próprios tempos primitivos, e Minerva se reveste de diferentes aspectos, segundo as localidades.

Uma medalha da Nova Ílion representa uma Palas troiana cujo tipo, imitação de antiga figura arcaica, deve remontar a remota Antigüidade. Está de pé e traz na mão direita a lança apoiada ao ombro, enquanto a esquerda empunha um facho. A ave sagrada está de pé diante da deusa, cujo costume, e particularmente o capacete, se afastam completamente do tipo habitual de Minerva.

O CAPACAETE DE MINERVAA égide é uma pele de cabra de que nos servimos como escudo, mas significa igualmente a tempestade, e é em tal sentido que Homero a entende, quando fala do fogo e da luz que partem do escudo divino. Minerva, sendo na ordem física o raio personificado, devia ter por atributo a égide, e nos monumentos arcaicos podemos ver de que maneira era empregada primitivamente. Na grande época da arte, Minerva trá-la sobre o peito; a Górgona figura sempre na égide.

A cabeça da Górgona é um dos atributos essenciais da deusa a aparece quer sobre a égide, quer sobre o seu escudo. Exprime o terror com o qual Palas fere os inimigos.

A Minerva arcaica de Herculanum está numa atitude hierática: vestida do peplo de dobras tesas e engomadas, que recobre a concha, marcha resolutamente para o combate. A maneira pela qual a deusa traz aqui a égide é característica: segura-a sobre o ombro para ter o braço esquerdo inteiramente coberto. A égide é grandíssima, ao passo que nos monumentos menos antigos, perde algo da sua importância.

A égide usada por Júpiter passava por ser a pele da cabra Amaltéia, que lhe foi nutriz. Mas há tradições diferentes em torno da égide de Minerva. A deusa matara o monstro Ágis, filho da Terra, que vomitava chamas com uma fumaça negra e espessa. O monstro desolou, a princípio, a Frígia, em seguida o monte Cáucaso, cujas florestas queimou até a Índia. Depois foi incendiar o monte Líbano e devastou sucessivamente o Egito e a Líbia. Minerva, após o derrubar, o traspassou com a lança e da sua pele fez uma couraça, sobre a qual colocou posteriormente a cabeça de Górgona, e que usava como troféu. Quando a égide está colocada em volta do braço, como no-la apresenta a Minerva de Herculanum, é sempre um sinal de combate.

OS ATRIBUTOS DE MINERVAA Minerva de Egina segura a lança e o escudo no alto, mas a égide, em vez de ser usada sobre o braço, serve de couraça para garantir o peito e até as costas, sobre as quais recai. Essa estátua, que hoje se encontra na Gliptoteca de Munique, ocupava o centro do frontão ocidental do templo de Egina.

A famosa Minerva de Fídias, no Parthenon, era de marfim e ouro. A deusa estava de pé, coberta da égide, e a sua túnica descia até os calcanhares. Empunhava uma lança com uma das mãos e com a outra uma vitória. O capacete estava encimado por uma esfinge, emblema da inteligência celeste; nas partes laterais havia dois grifos, cuja significação era a mesma que a da esfinge, e, acima da viseira, oito cavalos a galope, imagem da rapidez com a qual age o pensamento divino. A cabeça de Medusa figurava-lhe no peito. Os braços e a cabeça da deusa eram de marfim, com exceção dos olhos formados por duas pedras preciosas; as vestes eram de ouro e podiam ser retiradas com facilidade, pois era mister, quando a república se via em apertos, poder recorrer ao tesouro público, do qual a deusa era depositária. Na face exterior do escudo, posto aos pés da deusa, estava representado o combate dos atenienses contra as amazonas, na face inferior o dos gigantes contra os deuses: o nascimento de Pandora estava esculpido no pedestal. Um trecho da Antologia grega compara a Minerva de Fídias, em Atenas, à Vênus feita por Praxíteles em Cnido: "Vendo a divina imagem de Vênus, filha dos mares, tu dirás: subscrevo o juízo do frígio Páris. Se vires em seguida a Minerva de Atenas, exclamarás: quem não lhe adjudicou o primeiro era um boieiro!"

Referências Bibliográficas:

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BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Grega. Petrópolis: Vozes, Vol. III, 4.ª edição, 1992.
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